12.1.13

Sonhei com uma sala cheia de gente
uns deitados, uns sentados, umas de pé. Parecia uma discoteca em vésperas de orgia,
mas afinal toda a gente tinha um livro na mão e estava efectivamente a ler. Não era,
aparentemente,
uma estratégia de engate de meninos armados ao culto. Estavam mesmo a ler. Um bordel de livros. Uma biblioteca bem viva, e até as gajas boas estavam a ler.
Não me perguntem o que aconteceu depois.

2.8.12

Voltamos. Só que tudo será diferente e todas as escritas se soltarão por aqui.
Há mais de um ano que desapareci em combate. Mas voltei. E já tem oito anos este espaço.

16.3.11

Viagens

A coisa apodrece
(Lentamente avanço pelos campos enebriado pela paisagem
pelas vinhas pinhais
e tudo parece tão belo perfeito e garante de uma boa realidade)
para o lado do humano. Não é por todo o lado
nem toda a paisagem povoada aqui e ali por pessoas que têm um sentido apurado do bem.
(Mas há um crescente asfixiamento. Há um ambiente cada vez mais anaeróbio)

6.6.09

Viagens

Uma viagem de comboio é uma viagem de comboio. Não há nada semelhante
nem tão rico em termos de experiência humana.
Claro que não é a mesma coisa viajar num regional ou num intercidades
que é onde vou agora
onde as pessoas são bem diferentes e discretas e caladas e a ler e a dormir.
Num regional há a vida tal como ela é. Pelo menos como ela é para pessoas normais que falam que gritam que choram que amuam que ouvem rádio que são amigas que são mal-criadas. De tudo.
Aqui a paisagem está lá fora. Cá dentro o silêncio de uma cápsula sobre carris
bancos melhores e mais cómodos bar rádio no banco avisos sonoros das estações limpeza.
Mas não há mais nada.
Não se sabe o que pensam as gentes sobre os governantes nem sobre as mães deles. Não se sabe o que fazem os vizinhos quando saem de noite ou quando deixam entrar alguém pelas portas traseiras. Não se sabe de quem é o filho que parecia ser do Manuel. Não se sabe se a mulher do outro gosta de mulheres ou de homens. Nem se sabe se o padre cumpre ou não com o apoio aos fiéis e outras incumbências de aldeia. Não se sabe se o presidente da Câmara comeu com fulano o dinheiros dos sicranos. Não se sabe nada.
Aqui só dá para dormir. Bem
na verdade
há umas coisas boas para ver. E há a paisagem. Neste preciso momento
o Rio Mondego.

16.4.09

A avó, pequenina
Dobrava folhetos em cima da saia da prima
Colava cartazes de selos de cobra em todos os andares
De baixo
E pregava pregos sozinhos nos sapatos escuros
A avó, pequenina
Comia cigarras lentas da saia da prima
Colava flores nos pigmentos associados
E beijava homens negros nas solas dos lares
'El otro dia queria un Yan, pero no estabas'
It took combined efforts of the 3 genuis


Célia Gonçalves

6.4.09

Marinela era moça alegre que gostava muito de passeio e diversão. Costumava ir com uma trupe para aí de seis amigos ao baile lá para as bandas de Oliveira. Pelo caminho paravam numa terra a desbastar milho a tarde toda. Depois
pela noitinha
regressavam às suas casas do baile.
Um dia nasceu um menino
conhecido como filho de um tal de Júlio barbeiro e da Marinela sua esposa
que dela era
mas que mais muito mais tarde já na idade dos bailes teve a alcunha de espigas 
oferecida no mesmo salão de baile onde Júlio havia dançado.

10.3.09

Este últimos tempos toda eu fui uma hemorragia. Transbordei a tudo. Liquido amniótico e sangue envolta num sebo que me facilitava o rebolar em vez do andar. Não transbordei sensualidade mas cheirava a sexo e queria ser a tua puta. Serenidade guardei-a toda para determinados momentos e verteu. o meu corpo embebeu um amor diferente tão forte que se o bebesses não conseguirias fugir à embriaguez. Mas depois de tanto tudo acendo o meu cigarro e queria uma ilusão. Queria saber sorrir sensualmente. Um sorriso que te fizesse sorrir sem saberes porque______


(como vais tu__ preso a ideias soltas.pergunta a louise)